maio 31, 2005

A FESTA DA COSTA LÉSTE

Há tantos anos folheio "CEM ANOS DE SOLIDÃO" e nunca chegava a coragem para devorá-lo
O tempo é chegado, as primeiras páginas... Gabriel García Marques, um colombiano?
Nas minhas simples contas, mexicano
Como Sócrates nada sei
Possuo nada mais que algumas noções gramaticais e...
Na verdade nunca me interessei pelos estudos obrigatórios

Raul Seixas tangendo a mosca azul para a noite das estrelas compactas
(CD's, Fitas e os velhos discos)
Aposto num "pop florestal"
A vitória régia me seduz e o neón me induz aos palcos
A cidade no mato
O mato prateando meus pés

Não creio que isso seja um poema
Ao mesmo tempo confesso minha majestosa vaidade
A música exerce um papel-fino em meu diafragma
Seguro meu pênis, vontade de me masturbar sem nenhuma razão aparente
Nu sobre uma almofada em cores quadriculada

Sobrevivi a tantas chuvas-fraturas-expostas
Sobrevivi Rock Elvis Pepitas sonoras se desintegram em minha cama projeto da luz
Rock Forte jato de almas cantoras impregnando o esquálido teto da casa que me abriga
Rock Mil páginas para ele

A consciência me chega
O que é ter uma vida voltada apenas para os prazeres?
Chamo o poema Ouço minha voz "HOPW!"
East Village Parque Novo Horizonte
O Uivo mais secreto de nossas casas

A folha que se entorta na máquina Edgar Allan Poe merece o cantar de Chico César
Eu mereço a sintonia absoluta com o centro vital do universo

Deuses celestes Poetas banidos voluntariamente das academias de araque
Esses santos são extremamente magros e suas catedrais por demais fedorentas
Sacerdotes que abandonaram o mundo coberto de "lama" para tentarem florir longe das pessoas impuras (em seus julgamentos) acabaram perdendo completamente o humanismo
Ninguém merece tal coisa

A única ave que se atreve ao sol sou eu a borboleta inesquecível
Brasil País cravado na vagina da América do Sul
Esse é o meu pedaço de planeta
Tal grão Tal grau de latitude zero

(Ouço um sax negro, é a voz noite de Louis Amstrong)
Brasil de meus sonhos
Aqui ejaculo meus poemas
A qual América pertenço?
Brasil meu reino absoluto

Afino-me com a África pigmentar e com os flamingos da Índia
Um vulto moreno negro aterrissa dançando em todas as partes dessa escrita aromática

Batuca um blues, meu caro condor!
Batuca uma rumba, minha sariema!
Madrepérola da madrugada alçando um vôo atonal sobre nossos colchões de todas as Américas

Aterrisso nessa escrita com os oito passos de Sensei

Piano pousado no platô daquele penhasco de Pompéia
O poema rei se entope de rock e cospe o fogo do embrião estelar nas bocas dos pássaros que somos

Nosso reino, essa terra de frutas-pessoas
De coração para coração
De flor para flor
As flores nascidas na lama da miséria alcançarão a magnitude de um sol (Se lutarem convictas) Nos garante Sensei
Em frente!
A montanha inoxidável nada representa diante da determinação de um guerreiro iluminado Vinde pássaros que sou pássaro, projeto único de minha natureza profundamente humana A flor que enfrenta sua miséria alcança a magnitude de trinta bilhões de sóis

Estômago vazio, zero centavo em algum lugar
Duas latas para mantimentos de alumínio prateado pousadas na mesa
Um mundo gigante acima e abaixo de meus doces pés
Nada de solidão Cobranças, cobranças e muito mais cobranças Do pai, da mãe, da ex-mulher, dos irmãos, do atual sogro, de mim para mim e do Estado
Meu pai comprou um GOL do ano Minha atual mulher diz que tomaremos água doce para matar a fome Hoje estou a dar risadas da fada miséria

No calendário cristão é natal
Alimento-me de música Sopa de música fumegando colcheias sobre os telhados de toda a vizinhança
Música ralada enfeitando o macarrão invisível
Música roncando em meu estômago
Mastigo música Bebo música
Peido música
Mijo música
Cago canções geniais dignas de um Mozart urbano, urbóide, um bode, uma cabra, uma cobra, um leão, um tiranossauro rex pra lá de gliter, muito além do peso do mundo cético que gentilmente me cerca
Acho que sou gênio e que a fome é linda
Nitiren diz que o que se passa nesse mundo é apenas um milésimo do que passamos no outro Então me mostre razão para lamentações

Eu que já cuspi sangue de demônios de todos os céus imagináveis cuspo música
Led Zeppelin/Rock/Reggae/Frutas/Flautas Violões pratificados de terra sobrevoam os móveis da sala
Diante do meu oratório Budas vindos de todas as direções do universo ouvem a música maravilhosa que nos embala para o sempre


Edu Planchez

3 comentários:

johneymorgan42035229 disse...
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benharolds14994683 disse...
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kevinmartinez06367760 disse...
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